Cheguei ontem em casa e uma vizinha – que, por sinal, também trabalha na área de moda – me esperava na porta do elevador. Nos cumprimentamos, entramos, ela apertou o botão do seu e do meu andar e me perguntou:
- E ai, o que valeu a pena no SPFW?
- Ah, Alexandre (Herchcovitch)… Respondi
Na hora, foi o único nome que me veio na cabeça, sem precisar ficar tentando recriar os looks desfilados nas passarelas. É claro que tiveram outros que valeram a pena… Ok, não muitos outros, mas o mais marcante para mim foi Alexandre Herchcovitch.
Analisando bem esta temporada de moda – Fashion Rio e SPFW – dá para dizer que foi uma das mais fracas que já tivemos. Poucas, ou melhor, quase nenhuma surpresa, nada de novidades e uma mesmice que, alem da preguiça, quase dava mau humor. De novo os desfiles showroom reinaram nas passarelas, assim como as tendecinhas repetitivas e chatas.
Que todo mundo lê os WGSNs da vida a gente já sabe, mas como o Oliveros disse: “esta consulta é um guia muito bom para marcas, porque sinaliza caminhos que podem ajudar a atingir o objetivo final do ciclo da moda: ver as criações vistas nas passarelas, andando nas ruas. Resumindo: é ponto de partida, nunca de chegada.”
Mas são poucos os que enxergam as agências de previsão de tendência assim. A maioria traduz literalmente o que vai ser tendência para a coleção. Daí os vários minis vestidos balonês, os vestidos soltinhos, as mangas trabalhadas (com plissados, pregas, drapeados e etc), a cintura alta e marcada (adoro e acho chic) e os vários drapeados. Se deu bem que conseguiu, como o Reinaldo Lourenço, Gloria Coelho, Maria Bonita e Osklen, por exemplo, traduzir as apostas da WGSNs para o estilo da marca, apresentando uma roupa com muita mais informação e menos igual à todo o resto.

Lembra, logo que terminou a temporada de moda internacional, em março, quando fiz um post falando que sem destacou mais foram aqueles estilistas que se voltaram para os próprios universos e estilos, ao invés paras as tendências? Então, por aqui foi a mesma coisa. Quem se destacou mesmo, quem valeu a pena mesmo, foram os poucos que preferiram o estilo próprio às “vontades” gerais do verão 2008. Alexandre Herchcovitch, retomando seu trabalho que lhe deu notoriedade, Ronaldo Fraga com sua homenagem a Nara Leão, Lino Villaventura com suas fadas, elfos e ninfas brancas, Fábia Bercsek com suas Cleópatras.
Fotos por Charles Naseh
1 Comentário
Junho 22, 2007 às 9:18 pm
estética e ética, né? estética = estilo + ética = substância. a gente fala disso há tempos, o ricardo guimarães escreveu na ffwmag, o povo uma hora vai ter que se adequar! senão não vai sobrar naaaaaaaada!….. arrasou na reflexão, cat, como sempre. te adoro. =)