Julho 1, 2007...12:53 am

DIA DE ALFAIATARIA

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Fotos por Marcio Madeira

 No segundo dia da semana de moda de Paris a alfaiataria foi o ponto de encontro – ou seria partida? Acho que mais partida… – dos três melhores desfiles do dia. Rei Kawakubo, na Comme des Garçons, Junya Watanabe e Kris van Assche apresentaram sobres leituras, ou melhor, releituras de peças clássicas do guarda roupa masculino. Algo em comum? As calças curtas, tipo pula-brejo, com barra um pouco acima do tornozelo. A peça, que deu sinal de vida já nas coleções do verão passado (2007), agora vem com tudo e em todas as coleções apresentadas até agora, tanto em Milão como em Paris. Efeito Thom Brown – um dos primeiros estilistas à subir as barras das calças dos ternos, fazendo disto sua assinatura. Será que pega? Se alguns looks já ficam “estranhos” na passarela, na vida real acredito que será mais complicado, mas não impossível. Já tem até foto no The Sartorialist.

Na Comme des Garçons, a sobreposição de camadas foi o ponto alto da coleção. Algumas reais e outras ilusórias. O que parecia três balzers ou camisas sobrepostos, em tamanhos crescentes, na verdade era uma peça só. No fundo era Rei Kawakubo mostrando o que faz melhor, e o que, em parte, deu sucesso ao seu nome: brincar com proporções. A diferença é que agora são três proporções num look só, que no final vira uma proporção única, por si só. Interessante também notar a coordenação de estampas e cores, principalmente os xadrezes e listrados mais para o fim do desfile. Algo que parece impossível no dia-a-dia, acaba funcionando super na passarela, com diferentes cores e padronagens de xadrez sobrepostas.

Já para Junya Watanabe a alfaitaria ganhe versão regionalista, com ternos ou apenas blazers e bermudas mais ajustados ao corpo, lembrando muito a silhueta de trabalhadores rurais do passado. As vezes bem “jeca”, como dizem por ai ainda, com bermuda de alfaiataria com cintura bem alta, blazer com mangas mais curtas que o normal, e meia três quartos toda puxada para cima. O interessante aqui é o trabalho de tecidos, alguns com aspectos de amassados e velhos. Diz que algumas camisas eram da Brooks Brothers, mas que passaram por um intenso processo de lavagem até ficarem com cara de encolhida e bem desgastada.

Kris van Assche sempre fez da alfaiataria um dos pontos altos de seu trabalho. Em seu sexto desfile Kris experimenta com novas proporções, sempre com bastante referências ao sportwear – outra característica de seu trabalho. Ajustando ou soltando algumas peças, Kris mantém-se fiell ao seu estilo, mas não injeta muito novidade nesta coleção. Quase sempre nos tons de cinza, mistura também sintéticos com naturais. Vale lembrar, que Kris van Assche é o novo nome por trás da criação da Dior Homme, depois que Hedi Slimane deixou o posto. Vamos ver o que nos espera lá.

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