Depois da semana de Londres, vem a de Milão. Acho que isso todo mundo já sabe… Enfim, a terceira etapa da temporada de moda começou no fim de semana bem pianinho e só foi ganhar força ontem (24/09). Até então nada de muito extraordinário, nem novo. Mas mesmo assim boas coleções, como coleção nipônica-sensual-moderna de Alessandro Dell’Aqua. Fazendo bom uso de elementos típicos japoneses, como os quimonos e obis (aquelas faixas largas na cintura) e de materiais mais sintéticos como vinil e borracha junto com outros mais clássicos e finos, como plumas, forros de tule, organza e chiffon.
Apostando numa silhueta mais próxima ao corpo – bem anos 90 -, assim como Dell’Aqua, Christopher Bailey, para Burberry, apresentou uma das coleção mais sensuais da marca até os dias de hoje. Com um leve toque de rock’n’roll, Bailey apresenta uma coleção chique, porém com ares de rebeldia. A peça chave da coleção – e do verão 2008 também – são os vestidos, aqui em sua maioria de chiffon, alguns em tiras, sempre com a cintura marcada e com meias pretas e sandálias plataformas da mesma cor. Os trenches vêm em menos quantidades e mais leves, e com aplicações de tecidos nos ombros, dando mais volume para região.
Plumas e passamanarinas trazem ainda mais ares de sofisticação para a coleção, assim como os looks pretos brilhantes – parecem maxi paetês nos vestidos – do final. Os coloridões, em azul e roxo já se aproximam um pouco mais da estética apresentada na coleção masculina.
E se a silhueta se ajusou para Bailey e Dell’Aqua, para Stefano Gabbana e Domenico Dolce, veio bem solta para o verão 2008 da D&G. Depois de algumas coleções com temas mais futurísticos e tecnológicos, a dupla opta por uma lado mais natural, com uma estética bem hippies. Não faltaram estampas florais, patches, jeans, couro, bababos, quase sempre em proporções bem afastadas do corpo, bem confortável. Claro que a coleção traz alguns looks mais sexys e sofisticados, como os looks com couro do começo de desfile, as peles e as peças em tons de bronze, afinal ainda é D&G.
Outro que apostou em formas mais soltas e fluídas foi Giorgio Armani. Olhando para o sul da Itália o estilista apresenta muitas bermudas e saias sempre mais soltas, com pequenos laços nas laterais, com topos ora mais próximos ao corpo ora mais soltos. No fim foram os tops que mais variaram, uma vez que as bermudas e saias eram quase sempre iguais, com sutis diferenças na modelagem, cor ou comprimento. Desde regatinhas de malha com aplicações de cristais, até jaquetas acinturadas, casacos desestruturados e mini blazers.
No meio do caminho entra uma silhueta mais justa e outra mais folgada – se bem que tendendo mais para esta última – ficou a coleção de Gianfranco Ferré. Para quem não sabe o “arquiteto da moda” (como Ferré era conhecido) faleceu em junho deste ano. Assim, que assinou a coleção para o verão 2008 foi a equipe de criação que já trabalhava com o estilista. Porém, daqui para frente, segundo o WWD, quem assumirá o posto de direção de criação é Lars Nilsson.
O verão 2008, apesar de não desapontar, não vem no bom e velho estilo Ferré. Ao invés dos looks mais estruturados, quase que esculturais, formas mais soltas, fluídas, tudo bem confortável. O que permanece do estilo original de Gianfranco Ferré são os elementos do guarda roupa masculino, mas ainda assim longe do que o próprio estilista costumava apresentar.



